Ciência, formação e reencontros no 46º Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular
O 46º Congresso Brasileiro de Angiologia e Cirurgia Vascular, realizado em Salvador, reuniu especialistas de diferentes regiões do Brasil para uma programação dedicada à atualização médica, à apresentação de pesquisas e ao debate sobre os caminhos atuais da especialidade.
Minha participação ocorreu em diferentes atividades científicas: como palestrante, presidente de mesa, avaliador de temas livres orais e pôsteres e participante da apresentação de quatro trabalhos científicos.

Publicação científica responsável
Na mesa dedicada à ciência, pesquisa e publicação, apresentei a palestra “Revistas predatórias: como identificar e evitar armadilhas na publicação”.
O crescimento da produção científica e das formas digitais de divulgação trouxe novas oportunidades, mas também ampliou a atuação de periódicos que adotam práticas editoriais pouco transparentes. Reconhecer esses sinais é fundamental para proteger os autores, a credibilidade das pesquisas e a própria integridade da literatura médica.
A escolha de um periódico não deve considerar apenas a velocidade de publicação. É necessário avaliar a clareza do processo de revisão, a composição editorial, a indexação, as políticas éticas e a transparência das taxas eventualmente cobradas.
Presidência de mesa e avaliação científica
Também presidi a mesa do Encontro de Ligas Acadêmicas, que reuniu diferentes perspectivas sobre formação científica, novas tecnologias, tromboembolismo venoso, prática médica e residência em Cirurgia Vascular.
As ligas acadêmicas podem exercer papel importante na aproximação dos estudantes com a especialidade, desde que suas atividades estejam integradas à formação universitária, à orientação docente e aos princípios da prática médica responsável.
Durante o congresso, participei ainda da avaliação de temas livres orais e pôsteres. Avaliar trabalhos científicos é uma atividade que exige atenção à relevância do tema, à adequação metodológica, à interpretação dos resultados e à clareza com que as conclusões são apresentadas.

Trabalhos científicos apresentados
Quatro trabalhos dos quais participei foram apresentados no congresso:
“Limitações do índice tornozelo-braquial e perspectivas diagnósticas da ultrassonografia na detecção da doença arterial periférica em pessoas com diabetes mellitus: revisão integrativa da literatura.”
“Melorreostose do membro inferior associada à insuficiência venosa crônica.”
“Impacto da pandemia de COVID-19 na epidemiologia e mortalidade do aneurisma de aorta abdominal no Brasil: uma análise comparativa do triênio pós-pandêmico.”
“Uso da pletismografia vascular com suporte de inteligência artificial em ação comunitária para rastreamento circulatório: relato de experiência de ensino, assistência e pesquisa.”
Os trabalhos contemplam diferentes dimensões da Angiologia e da Cirurgia Vascular, incluindo diagnóstico vascular, doenças pouco frequentes, epidemiologia e integração entre tecnologia, ensino, pesquisa e assistência comunitária. Essa produção é fruto a interação e partiipação dos alunos da UESC, e em especial dos participantes do programa de iniciação científica.
Vasculares que passaram pela UESC
Um dos aspectos mais significativos do congresso foi reencontrar profissionais que passaram pela Universidade Estadual de Santa Cruz e que hoje desenvolvem suas trajetórias na Angiologia e na Cirurgia Vascular.
Encontrar Monique, Milena, Scarlett, João, Kelvin, Ivo, Fernanda e Bruno, permitiu reconhecer, em diferentes momentos profissionais, a continuidade do trabalho de formação realizado na universidade.
Para o professor, acompanhar essas trajetórias é uma das expressões mais concretas do alcance da atividade docente. O conhecimento compartilhado durante a graduação ganha novos significados quando passa a orientar escolhas profissionais, atendimento aos pacientes e participação na comunidade científica.
Memória institucional e evolução da especialidade
O congresso proporcionou também um reencontro especial com Guilherme Pitta e Solange Gomes. Integramos a Diretoria Nacional da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular no biênio 2010–2011, respectivamente como presidente, vice-presidente e secretário-geral.

Nossa trajetória comum remete ainda ao Congresso Brasileiro realizado em Maceió, em 2009, e a um período marcado pela implantação de mudanças na organização científica e institucional da especialidade.
Observar a dimensão e a qualidade dos congressos atuais permite reconhecer como o trabalho desenvolvido em diferentes gestões contribuiu para a evolução contínua desses eventos.
Também foi uma satisfação rever Nara Vasconcelos, Rodrigo Kikuchi, Patrick Bastos Metzger, Nasser Hussein Mahfouz, Gutenberg do Amaral Gurgel, Fausto Miranda Júnior, Marcelo Grill e Marcelo Liberato, entre outros colegas que contribuem para a especialidade em diferentes regiões do Brasil.
Outro encontro significativo ocorreu com João, da DiLivros, presença frequente nos congressos e parceiro histórico na aproximação entre as publicações científicas e os angiologistas e cirurgiões vasculares brasileiros.

Ciência, formação e cooperação
Um congresso médico não se resume à exposição de novidades. Ele é também um espaço de avaliação crítica, intercâmbio de experiências, formação de novas gerações e preservação da memória institucional.
Participar como palestrante, presidente de mesa, avaliador e autor de trabalhos representou uma oportunidade de contribuir com o debate científico e, ao mesmo tempo, renovar vínculos construídos ao longo da vida acadêmica e profissional.
O retorno do congresso deixa novas ideias, possibilidades de cooperação e o compromisso permanente de transformar conhecimento científico em formação médica e assistência de qualidade.



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